terça-feira, 24 de maio de 2011

A Grande Final


“A força de quem veste de negro”

Quando li esta frase no dorso dos elementos do staff adversário estava longe de imaginar a premonição  que encerrava e como se adaptaria ao desfecho da jornada que  atribuiu o titulo da 1ª divisão distrital 2010/2011 na categoria de Juvenis.
Se o slogan se referia à força da sua equipa, a esta os nossos jovens resistiram e até ganharam ascendente num golo de Isma a aproveitar um gesto de vedetismo do guarda-redes adversário, decorria ainda a 1ª parte do encontro e estabelecia o resultado ao intervalo.
No regresso, foram os nossos jovens a instalar-se junto à área adversária e a criar algumas oportunidades de golo. Mas, o apelo do slogan  “A força de quem veste de negro” era forte. Aí, apesar de vestidos de bordeaux,  o trio de arbitragem sentiu-se convocado a unir a sua força à do adversário usando a  autoridade  absoluta e despótica que lhe é confiada. Fora de jogo absolutamente inexistente marcado ao avançado Isma e 2º amarelo com a consequente expulsão. Protestos  da bancada e do banco e com a valentia que emana do jersey que envergam nova ordem de expulsão agora para o director Leitão e para o treinador Sérgio. Por esta altura faltariam cerca de 15 minutos para terminar a partida e o campeão chamava-se GRAP.
Com este aliado de peso o adversário cresceu e perante a desorientação do GRAP facturou por 3 vezes, colocando o resultado final em 3-1.
Pasmo perante a facilidade com que se amarela e expulsa o jogador Isma e se deixa passar impune uma série de actos provocatórios do guarda-redes adversário no festejo dos seus golos dirigindo obscenidades à bancada adversária; como se marca um livre perigoso ao jeito de canto curto numa protecção de bola que sai pela linha de fundo; como uma bola dividida à entrada da nossa área dá um livre em nossos desfavor…
O jogo terminou com os apoiantes GRAP ao rubro e com os jogadores a receberem ordens de recolher imediatamente aos balneários para evitar quaisquer desacatos, pese embora entre atletas as disputas tenham sido quase sempre leais. Com os atletas já fora do balneário e com o treinador junto do grupo de apoiantes que faziam a foto de família nada fazia supor o que viria a suceder. Ao acompanhar um atleta no regresso ao balneário, Sérgio Bernardes dá de caras com um dos elementos do trio de arbitragem e instintivamente agride-o na presença das autoridades que de imediato e sem resistência o algema e detém conduzindo-o ao posto de Pombal para identificação, onde constava ficaria detido.
O incidente, reprovável, presenciado por  poucos, soou junto dos apoiantes GRAP que se reuniram de novo à volta do seu treinador. A imagem do homem algemado de mãos atrás das costas na viatura policial, numa medida de força absolutamente desproporcionada, foi tudo menos pacifica e poderia ter trazido males maiores quando a viatura do trio de arbitragem teve que fazer o percurso por entre os apoiantes GRAP a passo de caracol ao sair do complexo desportivo. Valeu o bom senso!
Cabe agora ao amigo Sérgio enfrentar novamente “ a força de quem veste de negro”, neste caso o juiz que decidirá sobre as consequências do seu acto. Este, porém, ponderará razões e estados de alma atenuantes e fará justiça porque não tem o poder discricionário do homem do apito que muito provavelmente só é capaz de mandar dentro dum campo de futebol.
Deixei esta crónica por concluir para conferir no jornal diário da cidade o que dizia sobre esta final esperando da opinião do repórter a justiça para o esforço dos atletas que não fosse a que os nossos olhos eventualmente tendenciosos, viram. Apenas o sensacionalismo da detenção do treinador fazia a notícia, embora com o mérito de o ouvir , em conjunto com uma foto da festa do adversário. De todas as outras finais há uma crónica do jogo e a constituição das equipas. Não me contive e perguntei à redacção do jornal se sabia que também tinha havido um jogo de futebol a anteceder os factos relatados. Disseram-me que não acompanharam o jogo por falta de activos e que por isso não  havia crónica do jogo. Calhou-nos a fava, presumo. Registe-se porém que o cronista não esteve lá mas o fotógrafo esse sim e escolheu muito bem a foto da festa entre as centenas que provavelmente tirou ou que constariam do banco de imagens a que recorreu. Bem no meio da imagem surge um jovem, a exibir uma frase provocatória “Não há 2 sem 3!!!” numa clara alusão às 2 vitórias no campeonato. Eu não iria tão longe quanto este jovem porque considero que no 2º jogo a sua vitória foi limpa fruto da excelente exibição do seu guarda-redes. Eu diria apenas não há 1 sem 2 porque também no 1º jogo fomos impedidos de ganhar ou empatar  por um juiz auxiliar, jogador da casa, que assinalou fora de jogo ao mesmo Isma num golo claramente limpo.
Com foto e sem crónica, fica documentada a única verdade conveniente: o SCLMarrazes foi o campeão 2010/2011 de Juvenis, derrotando por 3-1 o GRAP. Se o conseguiria 11 contra 11 e com orientação técnica no banco, isso é futurologia e no momento da expulsão quem ganhava era o GRAP. 
Tenho dito!

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